O parafuso

24/05/2017 - enviado por: Bruno venicius Bezerra dá silva leia apenas este causo 0 Comentários

Antigamente...

Um jovem rapaz
Foi ler suas mãos.
A senhora disse que ele iria morrer.
Mas apenas morreria por um parafuso.
Que engolira.

O rapaz foi tentar esquecer aquilo.
E resolveu ir para o circo com a namorada.
A namorada sentiu vontade de comer...
...um cachorro quente.

O rapaz comprou o cachorro quente.
E morreu.
Adivinha o que estava lá?

A salsicha, a carne moída, o ketchup e maionese.

(Kkkkk te peguei)

A onça que lambia pé

31/07/2015 - enviado por: Maria Mineira leia apenas este causo 0 Comentários


Cibalena é um analgésico conhecido há décadas, houve tempo que esse
comprimido era inflamável. Me parece que veio daí o apelido ...Ele
era um sujeito trabalhador, mas quando bebia saía da vendinha sem
saber o rumo de casa.

Uma noite, após a saideira, Cibalena despediu-se dos amigos e foi
embora levando debaixo do braço uma garrafa de aguardente. Para
encurtar caminho, resolveu ir pelo atalho que passava no meio da
mata.

As árvores deixavam a trilha escura; ele tropeçando, andava a passos
lentos, até que numa clareira, avistou uma grande arapuca armada com
uma galinha presa lá dentro. Alegre, imaginou que já estava
garantido o almoço do dia seguinte. Mesmo porque, achado não é
roubado...

—Quê qui ocê tá fazeno aí, suzinha, minha fia? Tá cum medo, não?
Povo fala qui esse mato é cheiim de onça e arma penada.
A galinha cochilava e nem deu trela à falação do Cibalena.

— Cê qué vimbora cumigo? Si quisé é só falá, qu’eu vô aí e disato
ocê e levo pa minha casa. Qui ruindade fizero cocê, dexano aí pá
sirvi de isca prus bicho...Ê povo marvado! As galinha tamém é
fidideus, uai..Mais podexá, ieu ti sarvo e tiro ocê dessa friage,
inté dô um golim dessa pinga procê isquentá o bico...

Decidido a levar a galinha, se abaixou e foi engatinhando para
resgatar a ave, porém, houve um imprevisto...A arapuca desarmou,
aprisionando-o.

Cibalena gritou, esperneou e não conseguiu sair. Apenas seus pés
ficaram fora das grades. Tonto, de bruços, o rapaz ouvia miados de
gatos do mato, piados de coruja, canto de curiangos e uivos de lobo-
guará.

Depois que se acalmou um pouco, reatou a prosa com a companheira de
penas.

—Tá veno, Chiquinha, o qui ocê feiz? Num vô ti perduá nunca...
Curpa sua ieu tô preso nessa gaiola, viu?

—Num dianta nada mi oiá cum esses zoim de pexe morto e nem pidi
discurpa. Agora tamu nóis dois aqui pá sirvi de cumê pas onça.

—Num fica caladinha assim, Sá... Bebe mais um golim...Tá sintino um
chêro de café torrado? Ah, ocê num tem nariz, né? Ieu tô!
Crendeuspai, onça é qui chêra assim... Chiquinha si ieu num tivesse
fechado aqui, ieu ia rapá no pé. Minha nossinhora dos afritos mi
acode!

Um arrepio lhe percorreu a espinha fazendo-o entrar em pânico.
Imobilizado, não podia se virar e ver o animal, mas sentiu um
focinho frio fungando nos seus pés.

—Chiquinha...Num oia agora, ieu tô achano que tem um trem quereno
mi cumê...Tá lembeno o meu pé isquerdo...Ihh! Agora lembeu o outro e
deu uma murdidinha no dedão... Aiiii! Tá fazeno cosquinha...Manda
essa onça fedazunha pará, Chiquinhaaaa!!

Cibalena gritava sem conseguir se mexer, se sentia prestes a perder
os dois pés, que estavam sendo lambidos e, na falta de coisa melhor,
iam virar comida de onça.

—Se ieu num tivesse ingastaiado aqui, cê ia vê, ieu ia deitá o
braço nessa onça, rolá no chão e tirá o côro dela, cê ia vê só...
Uai, num tô sintino mais os meus pé! Acho qui ela já cumeu os dois
duma bocada só...

—Chiquinha...Cumé qu’eu vô carçá as butina amanhã cedo?

Ao amanhecer, os biólogos que estudavam os hábitos do lobo-guará da
Serra da Canastra, encontraram Cibalena preso na armadilha. Ele
estava em estado de choque, com os olhos arregalados e, quando foi
retirado lá de dentro, não disse uma palavra: saiu correndo e sumiu
no mato.

Amoitado

10/07/2014 - enviado por: Maria Mineira leia apenas este causo 1 Comentários


Antigamente por motivos de festas, novenas, terços, ou às vezes, simplesmente pelo prazer de passar horas agradáveis conversando, as famílias moradoras na roça tinham o costume de se visitarem e até "pousar" na casa de parentes e amigos, indo embora só no outro dia à tarde.

Dentre as muitas visitas dos compadres à casa de meu avô, lembro-me especialmente de certa vinda de alguns tios trazendo seus filhos para a reza de um terço.

Era uma verdadeira festa o encontro da “primaiada”. Durante o dia a turma andava a cavalo, caçava ninhos de galinha no mato, brincava com cães e gatos, nadava no corguinho, corria pelo quintal, subia em árvores, comia fruta no pé. Se fosse tempo de mexerica enredeira a presença era notada de longe. Época de manga então, não se comia outra coisa, só manga o dia todo!

Criança de roça estava sempre faltando uma unha do dedão, tinha pés cheios de espinhos, pernas e braços arranhados, mas, era muito feliz! Não esqueço uma vez em que brincávamos a sombra de uma aroeira desobedecendo á recomendação de que ficássemos longe daquela árvore. O João, meu primo, querendo mostrar coragem esfregou várias folhas no rosto. O menino ficou irreconhecível de tão empipocado e com a cara inchada e vermelha.

No fim do dia, após a janta, as mulheres conversavam sentadas no banco grande da cozinha. Falavam de tudo: Fazeção de polvilho, receitas de doces e biscoitos, chás para todas as doenças... Na sala os homens jogavam truco fazendo muito barulho. Lembro-me do Tio Roque, sempre exagerado. Ele chegava a subir na mesa sapateando e gritando: truco, um dois, três!

À noite, no terreiro enluarado, corríamos atrás dos vagalumes, coisa emocionante! Além disso, entre as nossas brincadeiras estava o Chicotinho queimado a Barra manteiga, porém, o preferido era Pique-esconde. Um participante ficava com rosto na parede e contava até trinta bem devagar, enquanto o resto da turma se escondia espalhando-se por todo canto. Seria vencedor o último a ser encontrado.

Num desses dias, eu e um casal de primos fomos nos esconder pros lados da varandinha do paiol. Ali se guardavam arreios dependurados, tuias, latas antigas de guardar manteiga, tachos, caixas de madeira e couro, cordas, laços e várias ferramentas. Tinha até abóboras maduras amontoadas num canto.

Helena e eu sugerimos que Toninho se amoitasse dentro de uma das caixas vazias e colocamos a tampa por cima. Depois cada uma de nós procurou um lugar seguro e se escondeu também...

A brincadeira estava muito divertida e durou até altas horas quando fomos chamados pelas mães. Era hora de dormir. Nos quartos os colchões de palha estalavam de tão cheios, anunciando um sono cheio de sonhos.

Muitas horas mais tarde acordei assustada e chamei Helena que dormia perto de mim.

—Leninha, acorda! Nóis esquecemo o Toninho dento da caixa na varandinha dos arreios!

—Minha nossa, Mariinha! Tadim dele deve tê murrido sem ar!

Era madrugada quando saímos pé ante pé, para não acordar ninguém. Levando uma lamparina, seguimos pelo terreiro, indo em direção ao paiol e à varandinha dos arreios.

Com o coração apertado rezávamos para que o primo ainda estivesse vivo. Assim que abrimos a caixa, Toninho acordou assustado e esfregando os olhos sonolentos, disse:

—Mariinha, Leninha... Fui campião do pique isconde! Ninguém achô ieu amoitado nessa caxa, né memo?



*Pousar: dormir, pernoitar.
*Tuia: É o local nas fazendas onde, antigamente se guardava

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