Benefícios da atividade florestal para o produtor rural

Autoria de Márcio Lopes da Silva, Gabriel de Magalhães Miranda e Sidney Araujo Cordeiro, em 05/11/2008 A exploração comercial do reflorestamento pode ser uma atividade bastante produtiva para o produtor rural, que vem adotando com freqüência esta prática na Zona da Mata mineira. Em determinadas situações (condições do terreno, por exemplo) pode ser mais lucrativa que muitas culturas. Neste artigo, os autores apresentam detalhes sobre a atividade, além da comparação do lucro com outros cultivos. 7 Comentários

As florestas têm importância para o homem desde a Pré-história. No início, elas eram fontes de alimento e de caça, e a madeira, como lenha, cabo de ferramentas ou de armas. Com o passar do tempo, o homem começou a descobrir novas utilidades para os recursos que a floresta lhe oferecia: utensílios domésticos, construções, veículos, etc.

Atualmente, plantar árvores se tornou uma alternativa muito interessante não só para melhorar a propriedade, como também para aumentar a renda do produtor. Isso porque as florestas exigem pouca mão-de-obra, têm muita utilidade no sítio ou fazenda; ajudam ainda na melhoria do visual e valorizam a propriedade. O reflorestamento é uma atividade lucrativa, porque funciona como uma “caderneta de poupança verde”, que pode virar dinheiro quando o proprietário precisar.

Além das condições naturais muito favoráveis, o Brasil possui excedentes de mão-de-obra no meio rural, bem como considerável domínio tecnológico das atividades ligadas à formação de florestas, processamento e utilização da madeira.

Utilidades para a propriedade

Uma propriedade rural é auto-suficiente em muitos recursos. Até pouco tempo atrás, por exemplo, não eram raros os casos em que o produtor rural se dizia orgulhoso de comprar na cidade apenas o sal, o querosene e o macarrão; o restante de suas necessidades para subsistência era tirado da propriedade:

Lenha: é bastante comum,em cidades do interior e na zona rural, seu uso como fonte de energia para a produção de alimentos. Alguns tipos de indústria rurais também utilizam este recurso, como as cerâmicas. Para este caso, na maioria das regiões brasileiras, a produção só é permitida a partir de florestas plantadas, já que o produto será comercializado.

Mourões: usado na construção de cercas para demarcação de propriedades, delimitação de áreas agrícolas e de pastagens, etc. Em grande parte, a produção é proveniente de processos extrativistas, que não contemplam a reposição ou manejo dos maciços de onde foram retirados. Portanto, uma alternativa é a produção de mourões a partir de florestas plantadas com espécies de rápido crescimento, utilizando-se processos de tratamento para aumentar a sua durabilidade.

Currais: uma forma eficiente e barata de se construir este tipo de benfeitoria é usando materiais obtidos dentro da própria fazenda.

Construções cobertas: a madeira satisfaz as necessidades estruturais, de maneira eficiente e barata.

Ferramentas: por sua resistência e peso compatíveis com os trabalhos braçais, é o material apropriado para esta finalidade.

Veículos e acessórios rurais: carros de boi, cabeçalho, cheda, cocão, chumacho, guiada-de-ferrão, charrete.

Diversos: móveis, suporte para construções, utensílios, molduras, objetos decorativos,  veículos e embarcações, ferramentas,embalagens, palitos, tonéis, material escolar, instrumentos musicais, papel e carvão vegetal.

Além desses, existem também os produtos florestais não-madeireiros:

Folhas, frutos, sementes, raízes e casca: essas partes das árvores de espécies florestais podem ser usadas na produção de alimentos, cosméticos, especiarias, medicamentos, objetos decorativos, corantes, etc.

Óleos essenciais: são geralmente extraídos das folhas, utilizados na produção de cosméticos, perfumes, materiais de limpeza, etc.

Resinas: são normalmente extraídas de espécies de coníferas para a produção de colas, tintas, vernizes, corantes, breu, etc.

Vantagens do reflorestamento

As espécies utilizadas geralmente são de rápido crescimento;

Fonte alternativa de matéria-prima para a propriedade a baixo custo;

Fonte de renda para a propriedade;

Produtos comerciais de boa qualidade;

Muitas espécies comportam-se bem em sistemas de consórcio;

Exigência nutricional semelhante às culturas agrícolas tradicionais;

Menos burocracia para autorizar a exploração;

Captura de CO2;

Menor impacto ambiental ao solo do que as culturas tradicionais;

Aproveitamento de áreas marginais;

Pode contribuir para completar a reserva legal;

Redução da pressão exploratória sobre os remanescentes de matas nativas.

Desvantagens do reflorestamento

Ciclo muito longo, quando comparado com culturas tradicionais;

Como qualquer monocultura, apresenta problemas de redução da biodiversidade local;

A madeira por ser relativamente de baixo valor e elevado volume, e o custo de transporte por grandes distâncias pode inviabilizar o empreendimento;

Não apresenta viabilidade para propriedades muito reduzidas, por ocupar as áreas que seriam destinadas às culturas de subsistência.

Viabilidade da atividade florestal

O termo viabilidade pode ser analisado sob vários enfoques. Ou seja, um projeto florestal pode ser viável sob quatro aspectos principais: técnico, ambiental, social e econômico.

Técnico: viabilidade técnica significa ter condições de produzir. E isso há de sobra no Brasil, pois as espécies usadas crescem bem, existe grande disponibilidade de área, técnicos especializados, boas condições climáticas, etc.;

Ambiental: s culturas florestais apresentam alguns inconvenientes nesta área.Mas, se comparadas a outras atividades agropecuárias, os impactos ambientais são bem menores;

Social: o benefício social da cultura florestal vem da geração de empregos no setor rural e, conseqüentemente, da melhoria da qualidade de vida do proprietário e dos funcionários;

Econômico: a cultura florestal pode funcionar como uma poupança, se encarada como um capital que está crescendo em forma de madeira ou outro produto. De maneira simplificada, um empreendimento para ser economicamente viável tem que apresentar lucro;  neste caso, a cultura florestal pode ser bastante vantajosa para o proprietário, uma vez que o produto é de qualidade e o mercado garantido. A viabilidade de um projeto também é analisada pelos indicadores econômicos. Dentre eles, o lucro ou Valor Presente Líquido (VPL) e a rentabilidade ou a Taxa Interna de Retorno (TIR).

 

Valor Presente Líquido (VPL) e Taxa Interna de Retorno (TIR) para atividades agropecuárias no município de Viçosa (MG).

(Taxa de juros de 8% ao ano e valor da terra de R$ 1.500,00)

 

Cultura

VPL (US$/ha.)

TIR (%)

Reflorestamento

1.686,09

8,62

Milho

884,63

5,43

Feijão

3.421,34

14,87

Café

4.703,46

15,42

Pecuária de leite

1.050,28

6,32

Pecuária de corte

823,26

5,13

(Fonte: Fontes - 2001)

Ao analisar o quadro, observa-se que o projeto que apresentou retornos mais atrativos aos proprietários rurais, pelos critérios de VPL e TIR, foi o café, mostrando-se a melhor alter­nativa de investimento para as áreas de encostas  - terço inferior e médio. Em seguida, veio a cultura do feijão, cultivado quase sempre em terrenos planos. O reflorestamento com eucalipto aparece em terceiro lugar, consis­tindo-se em uma alternativa para áreas amorreadas, impróprias para a produção de alimentos, concorrendo com pastagens, mas não com a cultura do café.

            A atividade de reflorestamento realizada por proprietários rurais vem crescendo em níveis municipal, estadual e nacional. Na Zona da Mata mineira, um grande número de proprietários rurais participa de programas de fomento florestal com espécies do gênero Eucalipto, por meio do Instituto Estadual de Florestas (IEF-MG). Há também a opção por linhas de financiamento que incentivam o reflorestamento, como o Propflora, Pronaf Florestal e FNO Floresta, dentre outros.

 

BIBLIOGRAFIA

      ARACRUZ CELULOSE S.A. Manual do cultivo do eucalipto – Programa de fomento florestal. Vitória: ARACRUZ. 16 p. (folheto).

 

 DAVIS, L. S.; JOHNSON, K. N. Forest management. New York: McGraw-Hill,Inc.1987.790p.

 

      FERNANDES, M. R.; VIDAL, L. S. Uso correto do solo – Terrenos onde a mata é indispensável. Belo Horizonte: EMATER-MG. 7 p. (folheto).

 

      FONTES, A. A. Caracterização das propriedades rurais do município de Viçosa - MG - com ênfase na atividade florestal. Viçosa: UFV, 2001. 143 p. Dissertação (Mestrado em Ciência Florestal) – Universidade Federal de Viçosa, 2001.

 

7 Comentários Márcio Lopes da Silva, Gabriel de Magalhães Miranda e Sidney Araujo Cordeiro são, respectivamente, professores do Departamento de Engenharia Florestal da UFV e Departamento de Engenharia Florestal da Unicentro eestudante de Pós-graduação da UFV
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