Incidência de câncer de pele em produtores rurais: como evitar essa doença?

Autoria de Juliana Alves do Vale e Mariana Machado-Neves, em 13/12/2017

O verão está chegando e, com ele, dias mais quentes e ensolarados se aproximam. Para quem tira do trabalho no campo o próprio sustento, é quase impossível fugir dos efeitos nocivos do sol, uma vez que precisam de produtividade. Portanto, devem tomar cuidados ao expor a pele por tempo prolongado ao sol. 


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O verão está chegando e, com ele, dias mais quentes e ensolarados se aproximam. Para quem tira do trabalho no campo o próprio sustento, é quase impossível fugir dos efeitos nocivos do sol, uma vez que precisam de produtividade. Portanto, devem tomar cuidados ao expor a pele por tempo prolongado ao sol.
Segundo um documento publicado, em 2016, pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), a estimativa de novos casos de câncer no Brasil é de 596 mil para o biênio 2016/2017. Desse total, 175.760 casos correspondem ao câncer de pele do tipo não-melanoma, dos quais 80.850 em homens e 94.910 em mulheres. Esse câncer é o de maior incidência entre os tumores de pele e o que apresenta baixa taxa de mortalidade. Já 5.670 novos casos (3.000 em homens e 2.670 em mulheres) correspondem ao tipo de câncer de pele melanoma. Tal tipo de câncer é de baixa incidência, mas é o mais agressivo e responsável pela alta taxa de mortalidade no país. O que diferencia os dois tipos de câncer de pele é o local em que ele se origina: o tipo não-melanoma tem origem nas células basais ou escamosas da pele e o melanoma se origina nos melanócitos, células produtoras de melanina.
Por ser altamente agressivo e letal, maior atenção deve ser dada ao reconhecimento de um melanoma. Como dito, o melanoma é um tipo de câncer de pele originário dos melanócitos e resulta da transformação maligna dos melanócitos. Essa transformação maligna pode ser influenciada, por exemplo, por radiação ultravioleta e a susceptibilidade genética. As principais características que diferenciam manchas e pintas normais daquelas com propriedades de melanoma estão presentes na figura 1.

Assimetria, bordas irregulares, múltiplas cores, tamanho maior que ¼ de polegada, mudanças no tamanho, forma e cor, todas essas propriedades são vistas no melanoma. Por sua vez, uma pinta ou mancha normal apresentará simetria, bordas regulares, apenas uma cor, tamanho menor que ¼ de polegada e são comumente moles. Na figura 2, é possível visualizar a diferença na histologia de uma pele normal (esquerda) e uma pele com melanoma


Figura 1: Diferenças entre pintas ou manchas normais e pintas que se tornaram melanoma.
(Fonte: http://healthynnatural.com/a/skin-cancer/index.html)


As altas taxas de letalidade do melanoma se devem, principalmente, à sua capacidade de gerar metástases em órgãos distantes. Esse processo ocorre por meio de uma série de etapas progressivas, denominadas de cascata metastática. Nesses processos, as células cancerígenas adquirem propriedades adicionais que conferem a elas a capacidade de invadir, migrar e colonizar outros órgãos. A metástase no câncer de pele melanoma é caracterizada por quatro estádios, conforme a figura 2:

  • Estádio zero: Tumor confinado à epiderme;
  • Estádio I: Tumor menor que 1 mm de profundidade (com ulceração) ou 0,5 mm de profundidade (sem ulceração);
  • Estádio II: Tumor de 1 a 4 mm de profundidade com ulceração (ou maior que 4 mm sem ulceração);
  • Estádio III: Disseminação para vasos linfáticos e sanguíneos;
  • Estádio IV: Disseminação para outros órgãos.

 


Figura 2: Estádios da geração de metástase do câncer de pele melanoma.
(Fonte: Jaworek-Korjakowska & Kleczek, 2015)


Em vista ao grande número de novos casos de câncer de pele no país e à alta mortalidade devido ao melanoma, é necessário tomar medidas de prevenção frente a essa doença, especialmente os produtores rurais. Pessoas com mais de 50 anos, principalmente de pele clara e com histórico familiar da doença, e, sobretudo produtores rurais que se expõem ao sol de forma intensa devem requerer maiores cuidados. O uso de chapéus com abas circulares e largas, óculos de sol, camisas de manga longa e calças devem ser priorizados. Roupas com tecidos mais escuros, trama mais apertada e com fios sintéticos oferecem maior proteção, nesses casos. Além disso, fazer uso do protetor solar com fator de proteção de no mínimo 30 e reaplicar o produto a cada duas horas ou menos deve ser levado em conta no dia a dia do produtor rural.
Observar o próprio corpo e manter acompanhamento médico é importante para garantir a saúde da pele dos produtores. Normalmente, a maioria dos tumores de pele é benigna e dificilmente se transformarão em câncer, porém já é um sinal de que algo errado está acontecendo na pele.

Caso seja notada a presença de pintas ou manchas suspeitas, que sangram facilmente, e tenham tamanho, forma e cor variáveis ou feridas que não cicatrizam, é fundamental procurar um bom médico dermatologista. Mantendo esses cuidados e aproveitando o sol de forma correta, não haverá riscos para a saúde.

0 Comentários Juliana Alves do Vale e Mariana Machado-Neves são, respectivamente, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Biologia Celular e Estrutural e professora de Histologia e Embriologia, e orientadora da Juliana, no Departamento de Biologia Geral da UFV - UFV
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