Em Pernambuco, educação em agroecologia melhora a vida de jovens

No interior de Pernambuco, a formação em agroecologia amplia o horizonte dos jovens e
fortalece a ligação com o campo e a produção sustentável.

Em Glória do Goitá, fica um dos núcleos de ensino do Serviço de Tecnologia Alternativa (Serta). No espaço, jovens agricultores aprendem técnicas e tecnologias sociais que permitem ampliar a renda e produzir alimentos saudáveis.



 “Aqui temos um aprendizado diferente, uma educação popular que valoriza a realidade da agricultura, o contato com a natureza. Aprendemos e aplicamos, na prática, as tecnologias viáveis”, avalia Ozéias José Barbosa, um dos estudantes da instituição. “Quando plantamos uma produção orgânica, a gente se preocupa mais com a saúde e com a qualidade dos alimentos que estamos produzindo do que com o lucro”, comenta ao defender a produção de alimentos saudáveis.



Com uma metodologia de alternância, onde os educandos passam uma semana no Serta e três em casa, aplicando os conhecimentos acumulados no curso e pesquisando a história e necessidades de suas comunidades, a formação em agroecologia privilegia a troca de saberes e experiências. Com dois campi – Ibimirim e Gloria do Goitá – ambos em Pernambuco, o Serta já formou mais de três mil jovens no curso de Formação de Agentes de Desenvolvimento Local, formação reconhecida como curso profissionalizante de nível médio pelo Ministério da Educação.



Para Roberto Mendes, um dos educadores do Serta, a capacitação que a instituição disponibiliza, permite que os jovens pensem formas de melhorar o mundo. “Pensar a agricultura como um todo, com todos os parceiros, levando em conta os saberes que podemos extrair da natureza, impulsiona os jovens e ver a riqueza da agroecologia, da permacultura. Isso amplia os horizontes e, com certeza, melhora a vida deles e das comunidades”.



Tecnologias sociais - Em um rico espaço de demonstração de tecnologia, conhecido como Unidade Pedagógica Produtiva de Orgânicos, os educandos têm a oportunidade de conhecer, na prática, diversas técnicas para a implementação de tecnologias de baixo custo que melhoram a vida nas propriedades rurais. Lá existem desde biodigestores, que utilizam o estrume dos animais para gerar gás metano substituindo o gás GLP no fogão, até aquecedores solares de baixo custo feitos com canos de PVC e garrafas de refrigerante.



“As inspirações não estão apenas em copiar tecnologias, mas em como se inspirar no que a natureza faz para poder produzir, criando espaço humanos, de forma sustentável”, pontua Ozéias ao lembrar que as tecnologias ensinadas na instituição são fruto da troca de saberes e da construção coletiva. “Podemos ter aprimorado uma ou outra coisa, mas tudo é fruto aqui é fruto da troca de saberes, de uma construção coletiva de alternativas para o produtor rural”.



Organizar a produção - Outra prática que os educandos aprendem e podem levar para suas comunidades é a de organizar as propriedades rurais em zonas de produção. A área mais próxima da residência fica responsável pela produção dos alimentos consumidos pela família e as mais distantes para culturas perenes e a criação de animais.



Como explica Mendes, este tipo de abordagem reduz as distâncias e o esforço para a produção dos alimentos que a família precisa. “Se você faz uma horta há 100 metros de casa e vai lá três vezes ao dia, só ai são 600 metros para ir e vir, em um ano o agricultor vai andar mais de 150 quilômetros só para cuidar de uma horta. Por isso é importante pensar a organização e distribuição da casa, da horta e das produções”.



Para conhecer mais sobre o trabalho do Serta, a oferta de cursos e vagas acesse o site da instituição.



 (Fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário) 


Postada em 08/01/2016