Horta BIOS da Agraer chama atenção pela proposta agroecológica

Com canteiros alinhados, sistema de irrigação e integração entre vegetais e aves, a horta
BIOS (sistema biológico, orgânico e sustentável) deu o que falar entre os visitantes da
segunda edição da Tecnofam 2016, realizada de 11 a 13 de maio, em Dourados, no Estado de Mato
Grosso do Sul.

Criada pelo engenheiro agrônomo, da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural de Mato Grosso do Sul (Agraer), Alfeu Ohlweiler, a horta é um modelo evoluído do Sistema Mandala, que visa promover a produção de alimentos orgânicos, otimização do espaço para cultivo e o uso racional da água. “A horta BIOS é um sistema diferenciado do arranjo comum de hortas. No centro dela colocamos um viveiro. Isso permite que o produtor possa cuidar melhor o desenvolvimento das mudas ao mesmo tempo em que trabalha com o manejo das hortaliças”, explica.



Além da proximidade da estufa, o projeto agrega também a ideia de produção de adubos orgânicos. “Atrás da horta posicionamos o galinheiro e o esterco produzido pelas aves serve de compostagem para fertilização dos canteiros. Sem contar que as sobras das verduras também podem ser utilizadas para alimentar as galinhas, ou seja, é um sistema inteligente de constante reaproveitamento”, conta Alfeu.



E se já não bastasse tudo isso, a horta BIOS ainda respeita o meio ambiente por não agredir até mesmos os animais que a princípios seriam vistos como pragas, os insetos. “A ideia é gerar produtividade ao homem do campo de forma consciente, por isso incentivamos o uso de repelentes naturais a base de alho, pimenta e outras variedades, que afastam os insetos sem mata-los. Muitas das vezes não damos a devida importância para os insetos, mas algumas espécies como a joaninha, por exemplo, tem o seu papel. Ela é predadora natural do pulgão, conhecido também como piolho-de-plantas”, diz.



Acostumada a mexer com horta, a agricultora familiar do assentamento Itamarati, Ângela Russo, ficou encantada com todo o sistema. “A gente estava trabalhando errado e, agora, aprendemos a forma certa. Eu usava o esterco das galinhas só para adubar minhas plantas de jardim. Pretendo ter uma horta assim. Vou conversar com a Agraer de Itamarati [Ponta Porã]. Gostei muito”, garante a mulher.



Outro que aprovou a ideia do projeto foi o senhor Gerson Izido, produtor tradicional do município de Itaporã. “Já trabalho com hortaliças orgânicas só ainda não consegui a certificação, mas estou correndo atrás. Lá uso o húmus de minhoca como adubo, mas gostei muito da ideia do galinheiro e das plantas repelentes ao redor da horta”.



Por conta do seu formato, onde o viveiro centralizado no terreno, e a partir dele, canteiros dispostos aos seus quatro lados, que podem ser aumentados de acordo com a necessidade do produtor. O projeto também permite o aumento da estufa e galinheiro, caso haja uma demanda maior de mudas ou insumos. Já para no sistema de irrigação é utilizada uma caixa dágua de cinco mil litros com tubos gotejadores ou microaspersão.



Em uma área de 304m², é possível na horta o cultivo de alface, coentro, cenoura, quiabo, pepino, feijão, abobrinha e rúcula.



(Fonte: Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural de Mato Grosso do Sul-  Foto: Dunga/ Agrosoft Brasil)


Postada em 20/05/2016