Agroindústria familiar tem sido alternativa para aumento da produção no Estado do Ceará

O termo ainda é relativamente recente no setor da Agricultura Familiar no Ceará, mas
iniciativas no Semiárido têm se revelado como uma grande alternativa para pequenos e
médios produtores no sertão cearense, mesmo com seis anos consecutivos de estiagem.

A Agroindústria familiar envolve iniciativa, inovação, trabalho em coletivos e análise de processos para crescer e aperfeiçoar produção. E isto está acontecendo no Sertão do Ceará.



Junto com os pais, irmãos, cunhado, genro, o produtor rural Wilton Lopes Bonfim, 35 anos, vem desenvolvendo com sucesso a produção de hortigranjeiros em nove hectares de terra na Comunidade de São Francisco, município de Quiterianópolis, a 408 quilômetros de Fortaleza. Mas o melhor é que ele se prepara para produzir mais em 2018.



Com o plantio rotativo, reversando vários tipos de cultivares, com zero uso de agrotóxico e com a reserva de um poço profundo com capacidade para 60mil litros d´água, um cacimbão e máquinas escavadeiras, o jovem produtor não tem notícia de tempo ruim na propriedade de sua família. “De 2005 pra cá, o que vendo pra os mercados e feiras de Quiterianópolis, Ceasa Fortaleza, de Tianguá só tem aumentado; inclusive não tem dado conta da demanda”, explica Wilton, que é presidente da Associação dos Irrigantes de Quiterianópolis e integra o grupo de 25 associados, a grande maioria da comunidade São Francisco.



Através da irrigação por microaspersão, os produtores conseguem controlar a irrigação do solo, que cada vez mais vem dando uma resposta positiva em quantidade e qualidade dos produtos. “Hoje não tenho grandes problemas aqui para alcançar esses resultados. Gostaria muito se tivéssemos uma estrada com acesso melhor para os compradores e garantir mais agilidade nos negócios”, explica Wilton, que integra o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), dizendo que ainda não tem a dimensão de quantas famílias são consumidores finais da sua produção. “Esse é um trabalho que nós da Ematerce queremos começar o mais rápido para conseguir qualificar, valorizar e replicar o trabalho que esses produtores estão fazendo aqui no sertão”, completa Amorim, presidente da Ematerce.



Sem contar com a participação de uma cooperativa nos negócios, e que também atua na região, o setor de hortigranjeiros no Sertão dos Inhamuns só tende a crescer. Em visita técnica ao local, o presidente da Ematerce (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural) Antônio Amorim viu com boas chances a possibilidade de expansão do negócio para a agroindústria familiar. “Com o trabalho que já apoiamos e conhecemos em Quixeramobim com o reuso d´água na fruticultura e com uma mini fábrica de polpa de fruta, temos tudo para avançar para um polo distribuidor de frutas na região”, analisou Amorim.  



Para o diretor técnico da Ematerce Itamar Lemos, a evolução do processo de produção é uma questão de tempo, de aprendizado e aprimoramento das técnicas usadas para cada tipo de cultivo. “É preciso fazer a análise da água para saber se é preciso algum tratamento, alguma adequação na irrigação das plantas, mas ele está bem adiantado em todo o trabalho. Importante esse acompanhamento do pessoal da Ematerce para não perder de vista a qualidade que já foi implantada aqui”, disse Itamar. Também integrou a comitiva o gerente regional Ematerce-Tauá Renato Carvalho. 



 Desenvolvimento



 Infraestrutura e logística. Dominada a técnica, com o solo em condições favoráveis para a produção, água disponível e mão de obra investindo em conhecimento e trabalho, o aparente Oásis dos Inhamuns parecia ter todos os elementos para progredir sem muitas restrições. Mas, infelizmente, ainda não é.



Com a distância de cerca de três quilômetros entre a propriedade com os plantios de tomate, mamão, jerimum e banana e a estrada principal que dá acesso aos outros municípios, Wilton tem o problema com os compradores dos produtos por conta do acesso. “Quando chove fica muito difícil passar o caminhão. Em 2005, já tentou-se fazer uma parceria com o Sebrae entrando com 60% dos custos para fazer a passagem molhada e melhorar o acesso de terra até aqui, mas não houve acordo com a outra parte”, disse Wilton completando que sem essa logística o produto ainda não chega com a rapidez que poderia chegar ao consumidor final mesmo com a aquisição de um trator com recursos próprios.  



Fato é que os produtores de São Francisco vêm colhendo frutos cada vez mais valorizados, de qualidade e competitivos no mercado. Dependendo da procura, há semanas que saem da propriedade, de 150 a 200 caixas de mamão. O tomate, alguns diziam que não compensava aumentar a produção porque não tinha mercado. Wilton arriscou e onde colhia 3 mil pés agora vai colher 40mil pés, cada caixa com cerca de 22 quilos, que vão direto pra Ceasa de Fortaleza, Tianguá e mercados regionais como o de Quiterianópolis. Cada caixa é comercializada por, aproximadamente, R$19,00 a R$20,00.



(Fonte: Ascom/Emater – CE)


Postada em 12/01/2018